Um universo de tubarões que não engolem...

Foto de Sergio MachadoTubarões que não engolem vídeo-instalações, anjinhos barrocos, frases inacabadas, latas velhas e cadeiras. Isso mesmo, tubarões que têm a boca repleta de pés, braços e encostos de cadeira que não descem goela abaixo. Assim as cadeiras esculpidas a mão pelo artista Sérgio Machado ganharam seu caminho, libertaram-se dos tubarões e passaram a compor com cor e características únicas pequenas e engenhosas peças para contemplar.

À mão, uma a uma, num torno e sem usar cola ou pregos, o mineiro Sérgio Machado dá forma a pequeninas cadeiras de vários modelos e épocas, transformando a madeira bruta em obra de arte. Há muito de trabalho artesanal em suas criações, afinal esculpir em um torno é algo que se faz com habilidade de artesão; mas a originalidade, irreverência e humor de suas peças fazem deste artista plástico mineiro um criador de manifestos em suas obras.

Os enormes (alguns com 3,5m de comprimento) tubarões, que, como nós, não engolem as propostas vazias e puramente comerciais de nosso tempo, estão lá em madeira maciça e tratada, num verdadeiro jogo de encaixes conceituais, críticos e físicos.

Aos 49 anos de idade, auto-didata, o artista plástico Sérgio Machado vive em Belo Horizonte. Gosta de poesia e de ler; também é assíduo freqüentador de um barzinho, onde encontra os amigos para tomar cerveja e libertar as idéias. Segundo ele, é nestes momentos que sua imaginação fica mais solta e que as criações vêm; depois vai para o estúdio dar corpo às inspirações.

As cadeiras de Sérgio Machado podem ser vistas e adquiridas na Zona D.

Por Silvana de Matos

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