Bernardo Krasniansky — o número 1 da Zona D

Bernardo começou cedo. Aos 7 anos já frequentava a escola de artes em Assunção. Em 1965, aos 14 anos de idade, acontecia sua primeira exposição, no auge da Pop Art e do movimento hippie. Seria injusto falar em influências quando nos deparamos com um profundo conhecedor de movimentos, escolas e culturas.

Numa de suas viagens pela Europa, conta o designer, deparou-se com uma loja do Século XIX que fazia réplicas em gesso de esculturas antigas. “Comecei a comprar estas peças e realizar intervenções com materiais contemporâneos... transformar o que existe é um ponto de partida para o novo. Aliás, é muito difícil criar o novo se não conhecemos verdadeiramente o que já foi feito. O Século XX, esta “vanguarda”, não é de hoje, até na antiguidade havia transgressões. Veja o caso dos dois bronzes de Pompéia, um trabalho comprado por um museu: eram Ephebos, corpos de gregos e cabeças de romanos”.





O design de Bernardo é o retrato de sua consciência realista. Há também sofisticação e uma irreverência corajosa de quem tem muito para contar, não importa o meio, linguagem ou veículo de expressão. No caso dele são esculturas, objetos, pinturas e fotografias... “O problema principal dos nossos dias é a falta de cultura, a gente não tem mais memória, não nos lembramos do que aconteceu há 15 anos. O marketing de massa é tão pesado, tão alienador... às vezes a pessoa está consumindo alguma coisa que ela comprou como vanguarda e aquilo é do Século XIX. Falta conhecimento, história, significado...” reflete Bernardo. Como o psicanalista Jorge Forbes comentou em uma palestra: “Já não nos resta a idade da razão para nos orientar, assim, perambulamos perdidos e “desbussolados” num bombardeio de informações inúteis e confusas que só nos fazem distrair do que realmente importa”.

Bernardo está no Brasil desde 1970. Assim é a lembrança de seu primeiro dia: “uma efervescência, o Brasil em 70 era uma coisa de louco, cheguei num domingo e na segunda já estava fazendo coisas”. Formado em artes plásticas pela ECA — Escola de Comunicação e Artes da USP, Krasniansky fez parte da 2ª turma, com professores como Tomoshigue Kusono, Evandro Carlos Jardim, Annateresa Fabris e o diretor do departamento, que também era diretor do museu de arte contemporânea da USP, o famoso Walter Zanini. Mais dos que professores, tornaram-se companheiros de jornada no trabalho do artista.

No estúdio de Bernardo dá para sentir quão artesanal é seu trabalho. Ele desenha as peças e as apresenta a uma equipe de artesãos que trabalham com ele há muitos anos. Tudo é feito à mão. Mesmo quando o processo de fabricação é industrial as peças são finalizadas à mão. “Prezo muito a qualidade, o acabamento das peças, a escolha dos materiais e o acompanhamento do feitio. Tenho muitos clientes que possuem peças que fiz há mais de 20 anos e estão impecáveis — feitas para durar”.

Krasniansky não é só preciosista com o acabamento de suas criações. É também ousado com materiais. Foi o primeiro a utilizar alumínio fundido para objetos utilitários no Brasil dos anos 80. Hoje suas peças são vendidas em lojas exclusivas pelo mundo afora.





Especial pelo senso crítico e privilegiado talento estético, Bernardo está na origem da Zona D – é o designer 001 nos registros da empresa, o primeiro fornecedor a integrar o time quando a loja só existia nos planos e no coração de Andréa Elage. Bernardo de certa forma abriu as portas para toda uma leva de talentosos e criativos companheiros no endereço do design de São Paulo, ali na Al. Gabriel Monteiro da Silva, 147. São quinze anos juntos, muitas idéias, peças e histórias ainda por vir.

Exposições e Bienais

• Exposição individual na Galeria Ilari, Assunção, Paraguai, 1966 e 1967;
• Bienal Internacional da Gráfica, Florença, Itália, 1968, 72 e 74;
• Bienal Internacional de São Paulo, Brasil, 1969, 81, 85 e 89;
• Arte de Sistemas da América Latina — Museu de Belas Artes, Bruxelas, Bélgica, 1974;
• Arte de Sistemas — Space Cardin, Paris, França e Museu de Arte Moderna Louisiana, Copenhagen, Dinamarca, 1975;
• Arte Brasil / Japão, Tóquio, Japão, 1985; Intergrafik, Berlim, Alemanha, 1987;
• Estampa, Madri, Espanha, 1996 e 2000; mostra individual — Museu das Américas / O.E.A, Washington, Estados Unidos, 2000.

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