Exposição “Bancos indígenas — entre a função e o rito”







Visitação: de 15 de fevereiro a 30 de abril

O Museu da Casa Brasileira abriu a exposição Bancos indígenas — entre a função e o rito na terça-feira, 14 de fevereiro. A mostra tem uma introdução com seis peças arqueológicas, com o objetivo de mostrar ao público a antigüidade da simbologia dos bancos e as dimensões históricas, estéticas, técnicas e simbólicas desses artefatos nas sociedades indígenas. Entre outros, estão expostos os bancos indígenas mais antigos do Brasil — os banquinhos de cerâmica Marajoara, uma cultura indígena que floresceu na Amazônia entre os séculos V e XV da nossa era. Também estão em exibição 58 bancos contemporâneos de 16 povos indígenas. Esculpidos diretamente na madeira maciça, sem encaixes nem emendas, não se pode encontrar sequer um exemplar idêntico a outro. Muitos têm forma de bichos, enquanto outros apresentam formas retas, simples. A curadoria é de Adélia Borges e Cristiana Barreto.

Além dos banquinhos de cerâmica Marajoara, a mostra tem outras peças arqueológicas em cerâmica que representam indivíduos sentados em bancos em contextos rituais xamanísticos e funerários, como as estatuetas da cultura Santarém (séc. X a XVII) e as urnas funerárias da cultura Maracá (séc. XV e XVIII). Estas peças sugerem que o uso dos bancos entre os índios da Amazônia tem na sua origem a demarcação de papéis sociais. As peças arqueológicas pertencem aos acervos do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

A mostra “quer celebrar essa diversidade de formas e de conteúdos associados aos bancos e apontar a importância de sua preservação como um legado à cultura universal”, diz Adélia Borges, diretora do Museu da Casa Brasileira. “Se, para os índios, os bancos representam uma ponte com o sobrenatural, para nós podem ser uma ponte com uma cultura em que a vida não se dissocia nem da natureza, nem da arte”, afirma ela.

A magia dos bancos está agora na sua capacidade de simbolizar as tradições indígenas, na sua antiguidade e na sua diversidade. Os bancos adquirem um novo papel, simbólico, inseridos na complexa dinâmica contemporânea de lutas pela autodeterminação das sociedades indígenas perante a sociedade nacional e o mundo em geral.

Serviço
Exposição: Bancos indígenas — entre a função e o rito
Abertura: 14/2/06, das 19h às 22h
Visitação: de 15/2/06 a 30/4/06, de terça a domingo, das 10h às 18h
Local: Museu da Casa Brasileira
Endereço: Av. Faria Lima, 2705 - Jardim Paulistano Tel. 3032-3727
Estacionamento com vagas limitadas no local – R$ 10,00
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00 – Domingo sempre gratuito
Acesso a portadores de deficiência física.
Visitas monitoradas : 3032-2564
Site: www.mcb.sp.gov.br

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